O BCE é o banco central responsável pelo euro. A sua missão n.º 1 é muito clara: manter a estabilidade dos preços. Para que a economia funcione de forma saudável, o BCE define que a inflação (a velocidade a que os preços sobem) deve situar-se nos 2% a médio prazo.
Como é que o BCE controla os preços?
Para manter a inflação nos 2%, o BCE utiliza o seu instrumento mais conhecido: as taxas de juro de referência.
- Quando a economia está “quente” e a inflação em alta: o BCE sobe as taxas de juro. Isto torna os empréstimos concedidos aos bancos mais caros, o que reflete em empréstimos mais caros para as pessoas e empresas. Com o crédito mais caro, o consumo abranda, ajudando a travar a subida dos preços.
- Quando a economia abranda ou enfrenta uma crise: o BCE desce as taxas de juro. Tornando o crédito mais barato, estimula-se o consumo, o investimento e a criação de emprego.
Qual o impacto direto no crédito de habitação e na Euribor?
Em Portugal, a grande maioria das famílias que recorre ao banco para comprar casa opta por taxas de juro variáveis.
Esta taxa calcula-se através da Euribor com base na média dos juros que os grandes bancos europeus cobram entre si quando emprestam dinheiro uns aos outros. Como os bancos comerciais se financiam com base nas taxas do BCE, qualquer mexida do BCE nas taxas de juro tem um efeito em cadeia que mexe diretamente com a Euribor.
- Quando o BCE corta as taxas de juro: a Euribor tende a descer. Como a prestação da casa é revista periodicamente, a sua mensalidade do crédito habitação vai descer, dando um alívio imediato ao orçamento familiar.
- Quando o BCE sobe as taxas de juro: a Euribor sobe e, na próxima revisão do seu contrato, a prestação do seu empréstimo vai aumentar.
Compreender este mecanismo ajuda-o a tomar decisões financeiras muito mais informadas. Se está a pensar comprar casa, este é um excelente momento para analisar o mercado, perceber a tendência das taxas de juro e encontrar as melhores soluções de financiamento para o seu caso.
Fonte da foto: Shutterstock